A carreira brasileira de Boese se desenvolveu numa época em que a glória era privilégio de muito poucos, dos nomes heróicos do modernismo - como Tarsila e Di - ou de novas estrelas bem produzidas, como Portinari. O espaço crítico era mínimo, e o de mercado era nenhum, para um estrangeiro que, ademais, nunca aderiu a nenhuma das vanguardas, não pertenceu a qualquer grupo, e, num momento decisivo - o começo dos anos 50 -, nem estava nos centros onde os acontecimentos eclodiam. Em 51, Boese viajara para a Europa, e em 52, de volta ao Brasil, se instalara em pequenas cidades paulistas: Ubatuba, Caraguatatuba, Monteiro Lobato. Só em 55 fixava de vez residência em São Paulo. Se tivesse, nesse instante, entrado por exemplo para o movimento concretista, teria se transformado num nome exponencial. Mas nada mais distante de sua sensibilidade delicada que a rigidez e o furor teorizante do concretismo. Fiel consigo mesmo - e, neste ponto, resistentemente defasado do entono -, fazia pintura figurativa, tecnicamente correta e moderadamente talentosa. Só em em fins dos anos 50, começo dos 60, a pintura de Boese atingiu a abstração e com ela descobriu sua potencialidade qualitativa. Nem foi um estalo de Vieira, nem uma evolução progressiva e trabalhada. Não foi, também, uma ruptura. Na abstração de Boese sobreviveu sempre um perfume reminiscente da figura, e ele mesmo afirmou: ´Para mim, na verdade, não é importante se um quadro é figurativo ou abstrato. Ele tem de ser um testemunho, uma manifestação, uma mensagem´ (...). "
Olívio Tavares de Araújo
HENRIQUE Boese: pintura, só pintura...Texto de Olívio Tavares de Araújo. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1986. (Ciclo Momentos da Pintura Paulista).
Fonte:
Itaú Cultural
Henrique Boese